Pular para o conteúdo
Será que é golpe

Atualizado em

Já caí num golpe: o que fazer agora

Respire. Cair em golpe não é burrice: golpe é aplicado por profissionais, com roteiro ensaiado. O que conta agora é a velocidade. Siga os passos na ordem.

Nos primeiros minutos: avise o banco

  1. Ligue para o banco pelo número oficial, o que está no app ou no verso do cartão. Nunca use um número que veio na mensagem, na ligação ou numa busca patrocinada.
  2. Peça o bloqueio do cartão, do app e das senhas, se o golpista teve acesso a elas.
  3. Se foi Pix, peça a abertura do MED (Mecanismo Especial de Devolução). Explicamos abaixo.

A Febraban orienta a mesma coisa: avisar o banco o quanto antes, guardar as provas e registrar o boletim de ocorrência (Febraban, golpe do falso advogado; Febraban, golpe do falso investimento).

Se o golpista ainda está falando com você, desligue. Banco nenhum pede senha, token ou código por telefone (Febraban, golpe da falsa central).

Foi Pix? Peça o MED pelo app

O MED é a regra do Banco Central para devolver um Pix em caso de golpe ou fraude. Ele bloqueia o dinheiro que ainda estiver na conta de quem recebeu (Banco Central, guia do MED).

Como pedir:

  • Pelo app do seu banco. Desde 1º de outubro de 2025, todo app com Pix precisa ter a opção de contestar a transação, o chamado "botão de contestação" (Resolução BCB nº 493/2025, resumida pelo Tecnoblog). O nome muda de banco para banco: procure "Contestar" no comprovante do Pix.
  • Ou pelo atendimento oficial do banco, se não achar a opção no app.

Prazos:

  • Você tem até 80 dias depois do Pix para pedir (Bora Investir, B3; Correio da Manhã, set/2026). Mas não espere: quanto antes, mais chance de ainda ter dinheiro na conta do golpista.
  • Pelo guia do Banco Central, o banco de quem recebeu tem até 7 dias para analisar, e o seu banco tem mais 72 horas para concluir e devolver (Banco Central, guia do MED).

O que o MED não cobre: Pix enviado por erro de digitação, arrependimento ou briga comercial com uma loja que existe de verdade (Banco Central, guia do MED). Nesses casos, fale com o banco e com quem recebeu.

A devolução não é garantida. Se o golpista já tirou o dinheiro da conta, a devolução pode ser parcial ou não acontecer. Por isso a velocidade importa tanto.

Foi cartão? Bloqueie e conteste

  • Bloqueie o cartão no app ou pelo número do verso.
  • Peça a contestação de cada compra que você não fez. Anote o número de protocolo de cada pedido.
  • Se você entregou o cartão a alguém "do banco" (golpe do motoboy): banco nenhum manda buscar cartão em casa (Febraban, 10 golpes contra idosos). Conte isso ao banco e no BO.

Registre o boletim de ocorrência (pode ser online)

O BO é o registro oficial do crime. O banco pode pedir, e ele ajuda a polícia a ligar casos do mesmo golpista. A maioria dos estados aceita BO de estelionato pela internet, e em geral o registro vale para crimes ocorridos no estado do site.

Estado Onde registrar
São Paulo Delegacia Eletrônica da Polícia Civil
Minas Gerais Registro de ocorrência de estelionato (até 30 dias depois do fato, segundo a página do governo)
Rio Grande do Sul Delegacia Online
Paraná BO online da Polícia Civil
Santa Catarina Delegacia Virtual (estelionato entra em "Outras ocorrências")
Distrito Federal Delegacia Eletrônica: estelionato e fraudes
Goiás Delegacia Virtual

Outros estados: entre no site da Polícia Civil do seu estado e procure "delegacia virtual" ou "delegacia online". Alguns estados usam a Delegacia Virtual do Ministério da Justiça, com login gov.br. Se não houver opção online, vá a qualquer delegacia.

Cuidado com site falso de delegacia. O endereço oficial termina em .gov.br. Ninguém cobra para registrar BO.

Leve ou anexe: prints da conversa, número do golpista, chave Pix, comprovantes, nome e CNPJ que apareceram no comprovante, data e hora.

Proteja suas contas

  • Troque as senhas do e-mail, do WhatsApp, do banco e das redes sociais. Comece pelo e-mail: é por ele que se recuperam as outras contas.
  • Ative a verificação em duas etapas em tudo, a começar pelo WhatsApp.
  • Veja os aparelhos conectados no WhatsApp, no Google ou na Apple e no Instagram, e desconecte os que você não reconhece.
  • Instalou algum app a pedido do golpista (de "acesso remoto" ou de "segurança")? Desinstale, e não use o app do banco nesse celular até falar com o banco.

Avise as pessoas

Se o golpe usou seu nome, sua foto ou seu WhatsApp, avise seus contatos por outro canal: "Não sou eu pedindo dinheiro". Peça para denunciarem o número no próprio app.

Usaram seus dados? Confira o que existe no seu CPF

No Registrato, serviço gratuito do Banco Central acessado com a conta gov.br (nível prata ou ouro), você consulta os empréstimos, as contas e as chaves Pix ligados ao seu CPF (Banco Central, Registrato). Se aparecer algo que não é seu, conteste com a instituição e anexe o BO.

O banco não resolveu?

  1. Guarde todos os números de protocolo.
  2. Reclame na ouvidoria do banco.
  3. Registre uma reclamação no site do Banco Central: as regras do Pix preveem esse caminho quando o banco não resolve (Banco Central, requisitos do Pix, PDF). Dá para acompanhar o pedido em Consulte sua demanda.
  4. Reclame também no consumidor.gov.br ou no Procon da sua cidade.

Isto é orientação geral, não é conselho jurídico. Para casos de valor alto, procure a Defensoria Pública ou um advogado.

Atenção: o golpe da recuperação

Logo depois de um golpe, aparece alguém prometendo "recuperar o seu dinheiro": um falso advogado, um falso "hacker do bem", um falso servidor do Banco Central. Eles pedem uma taxa adiantada. É outro golpe. Recuperação de verdade passa pelo seu banco, pelo MED e pela polícia, sem taxa para começar.

Não sabe qual foi o golpe?

Conte como foi e descubra em 1 minuto: Qual foi o golpe?. Recebeu uma mensagem e ficou na dúvida? Cole aqui antes de clicar.

Fontes